O
capitalismo criou maravilhas maiores que as pirâmides egípcias, mas também criou
o vencedor pequeno burguês que por muitas vezes é, no mínimo, o idiota de uma
moralidade torta, defensor da honra imaginética de um passado distante, se não ilusório.
Para haver vencedores se torna inevitável à existência da imagem do perdedor,
consumido pela vergonha de não poder consumir não só mercadorias, mas a imagem
ideal da própria existência.

O
“vencedor” é a casta na ponta da pirâmide, não tão magnífica como a egípcia,
mas a igualmente colossal e socioeconomicamente amoral como a brasileira. O
individuo que “vence” o meio não se importa de reproduzi-lo nas suas relações de
poder, pois no fundo é tão perdedor como o outro “perdedor” por considerar tal
relação como à causa natural de toda uma sociedade e ser, por natureza, seu
modo operante.
É
nesse sentido que se deve criar uma moralidade renovada que consiga fugir do
senso de natureza econômica do direito, que beira ao privilégio. Enquanto
existir a desigualdade gritante e amoral haverá os ilusórios vencedores de uma
sociedade derrotada pela incapacidade de organização social e cívica e o pior
de tudo, haverá defensores do modelo da cordialidade.
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