
Talvez seja esse o principal problema, só a partir do instante que pensamos a humanidade como fator social e não como resultado de extrapolações econômicas que as causas de um problema social encontram suas soluções e a “tragédia do cotidiano” se tornem uma tragédia inaceitável. Existe uma dificuldade inerente de se pensar a humanidade no macro, em seu coletivo, e não em propósitos individuais. A classe médica é radicalmente contrária a vinda de médicos cubanos, mas igualmente contrária a se aventurarem no sertão norte de Minas ou no Cariri escaldante do nordeste.
A tragédia silenciosa do cotidiano é menos grave ou menos escandalosa que a tragédia inesperada? No final o que difere o propósito da finalidade? Hipócrates garante o direito e a manutenção da vida, mas o que diz o interesse econômico? Uma vez perguntaram a um jovem da Alemanha recém unificada se o povo alemão acreditava na possibilidade de um novo Hitler, ao passo que respondeu: “Não! Somo educados demais para isso.” Essa educação me dá um medo profundo, a nossa sociedade está educada demais! Politizada ao ponto de dizer que um Cubano é um escravo, de afirmar que as médicas estrangeiras tem cara de domesticas e não "colocam" respeito no paciente. Ora bolas, paciente não precisa de imposição, precisa de aconselhamento médico.
Deixo as lições morais reservados aqueles que acreditam na igreja e vão se confessar aos domingos.
No fundo, academia nunca formou ninguém, forma, sim, para uma razão econômica e não para um dilema social. Meu queridos amigos médicos que gostam de dizer em alto e bom som que sua profissão é um sacerdócio moderno, onde está o evangelho que leva aos rincões? Por mais que seja inaceitável existe a vida humana no Norte de Minas, existe o ribeirinho, o sertanejo, o pé descalço. Não sejamos egoístas de pensar que não valha ser médico ou a vida não tenha valor nesses lugares. A vida é vida, e a razão econômica que tem finalidade em si.
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